03/03/2017 Sem Comentários

ESTARÁS COMIGO

Estarás Comigo

Lucas 23:39-44 – Orar e ler.
“Em verdade de te digo, que hoje estarás comigo no Paraíso”.
Tem alguma coisa estranha aqui.
Jesus foi para o paraíso naquele dia? Não!
No domingo, Jesus ainda não havia subido para o Pai, João 20:17.
O ladrão morreu no mesmo dia? Não!
Os dois ladrões tiveram as pernas quebradas porque estavam vivos, João 19:31-37.
Então, Jesus mentiu? Não!
“Eu Sou o caminho, a verdade e a vida”. João 14:6.
O homem (ser humano) macula, estraga tudo que coloca a mão… Até no trabalho de copiar ou traduzir a Palavra de Deus é possível observar as imperfeições humanas.
Analisando o problema:
No original não havia vírgula. E as palavras eram escritas sem separação.
Só no Nono Século que foram colocados ponto e vírgula.
Amém soi legou semerón met emou ezê en to paradeiso
Em verdade te digo hoje comigo estarás no paraíso.
Os tradutores colocaram a vírgula de acordo com suas convicções. Um imortalista colocaria a vírgula de tal maneira que o texto atendesse suas convicções.
Ilustração:
O patrão ensinou o caseiro a matar as cobras da fazenda com fogo.
Um belo dia o caseiro envia um telegrama para o patrão:
“A casa principal está cheia de cobras. Devo por fogo na casa, ou poupar a casa?”
Resposta: “Coloca fogo não, poupe a casa”. Veja a diferença: Coloca fogo, não poupe a casa.
Além de Lucas 23:43, no original não ter vírgula não tem também a conjunção que.
Compreensão:
1) Com base na evidência textual:
No original não havia vírgula para separar as palavras. A pontuação como nós conhecemos hoje, apareceu no nono século da nossa era.
O mais antigo documento existente do evangelho segundo Lucas, é o Papiro Bodmer XIV-XV, conhecido como P-75. E nesse documento não há nenhuma vírgula, nem antes e nem depois do adverbio de tempo sémeron, hoje.
Quando o texto foi pontuado, a vírgula foi colocada antes do advérbio não por questões gramaticais, mas em razão de crenças teológicas.
Outro detalhe é a conjunção que, que não existia no original. Os escribas modificavam alguma coisa na intenção de tornar o texto mais claro.
Um dos mais antigos manuscritos da língua grega, o Codex Vaticanus, do século IV, parente próximo do P-75, tem um ponto na linha, logo depois do advérbio sémeron. Todavia, pode ter sido acidental
2) Com base na evidência linguística:
Do ponto de vista gramatical, não existe regra sobre a posição do advérbio. Tanto ele poderia concordar com o verbo anterior como com o verbo posterior. Quer dizer que é impossível, gramaticalmente, determinar se o hoje se refere ao te digo, ou ao estarás comigo.
Todavia, o estilo de Lucas, tanto em Lucas como em Atos, parece ajudar a entender que ele escreveu em verdade te digo hoje… pois ele usou 20 vezes o advérbio sémeron, hoje. Das 20 vezes em 14 vezes o advérbio está ligado ao verbo anterior. E só 6 vezes das 20 ao verbo posterior.
Lucas, deveria conhecer muito bem a Septuaginta, Antigo Testamento, traduzido para o grego. Pois 90 por cento dos vocábulos usados por Lucas, estão na Septuaginta. Embora Lucas não fosse judeu, ele usou muitas expressões idiomáticas semíticas. Veja a expressão idiomática em Deuteronômio 11:26, “Eis que, hoje, eu proponho diante de vós a bênção e a maldição”.
3) Com base na evidência Bíblica:
É importante estabelecer o que diz a Bíblia sobre o momento quando os salvos receberão a recompensa.
Primeiro, que paraíso na linguagem de Jesus significa o Céu, ou a Nova Jerusalém, onde se encontram a árvore da vida e o trono de Deus, Apocalipse 2:7 e 22:1-5.
Em Mateus 25:31-34 e Lucas 22:14-18, Jesus deixa claro que o galardão é quando Jesus regressar.
Paulo deixa claro que a ressurreição é na segunda vinda de Cristo, 1 Coríntios 15:20-23, 1 Tessalonicenses 4:13-18.
João 5:29-29, diz que vem a hora quando todos os que estão no túmulo ouvirão a Sua voz e os que tiveram feito o bem, sairão para a ressurreição da vida. E no capítulo 6, verso 39 Jesus prometeu ressuscitar os Seus no último dia.
Todas as versões bíblicas têm alguma dificuldade.
Vou citar duas apenas como exemplo:
1) A Bíblia A MENSAGEM em Apocalipse 1:10 diz: Achei-me em espírito no dia de domingo.
Quando o Apocalipse foi escrito, kuriakê hemera, significava o Dia do Senhor nosso Deus, porém a partir do terceiro século, o kuriakê hemera começou a ser usado para o domingo, como o dia do senhor imperador.
Traduzir o Kuriakê hemera, escrito no primeiro século, para domingo, ou é má fé, ou é falta de conhecimento linguístico.
2) A Bíblia ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA, que é a que eu uso.
Em João 3:18, diz “Quem nEle crê, não é julgado, o que não crê já está julgado”. A melhor tradução seria quem nEle crê não é condenado. O verbo ???????? traduzido por julgado, poderia ser traduzido por julgado, condenado ou culpado. Traduzido por julgado, não é a melhor tradução, uma vez que todos compareceremos diante do tribunal de Cristo, 2 Coríntios 5:10, e que ao homem está determinado morrer uma só vez e depois o juízo, Hebreus 9:27.
Neste verso especificamente a Bíblia REVISTA E CORRIGIDA, tem melhor tradução, “Quem nEle crê não é condenado”. João 3:18.
Vamos voltar a Lucas 23:43.

Pela gramática da língua grega, o advérbio semerón, (hoje) poderia tanto se conformar com o verbo dizer, (????, legou) te digo, como com o verbo estar, estarás, (???, ezê).
Então tanto poderia significar te digo hoje, estarás comigo, como, em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.
É claro que quem acredita na imortalidade da alma, ou que em seguida da morte vem a recompensa ou o castigo, vai preferir “em verdade te digo, hoje estarás comigo.
Para quem crê na volta de Jesus e no juízo conforme a Bíblia ensina, vai preferir: em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.
Como podemos resolver o problema?
1) Jesus não foi para o paraíso na sexta feira. A prova está em João 20:17, onde Jesus disse à Maria: não me toques, ainda não subi para meu pai. Jesus teria mentido para o ladrão? Não! Jesus é o caminho, a verdade e a vida.
2) João 19:31-37. Os ladrões tiveram as pernas quebradas, porque estavam vivos. Certamente o ladrão não morreu naquele dia.
3) Textual e linguisticamente, o texto e a gramática não nos ajudam. Não havia vírgula e o advérbio sémeron, tanto podia se juntar ao verbo anterior como ao posterior.
4) Como a Bíblia trata o assunto? A evidência bíblica, nos faz entender que o correto seria o advérbio sémeron se juntar ao primeiro verbo e não ao segundo. O próprio Jesus, em João 14:1-3, disse que quando voltar, receberá os salvos para estarem com Ele. Paulo diz que o galardão será concedido na volta de Cristo, 1 Coríntios 15:51-58 e 1 Tessalonicenses 4:13-18.
5) Se você quiser ficar com o que é correto segundo Deus, e não segundo os homens, você deve entender que Jesus prometeu ao ladrão que no futuro estaria com Ele no Paraíso. O que Jesus disse foi: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso.
No Gólgota, Jesus prega seu último sermão.
Para duas apenas pessoas, dois ladrões.
“Quando chegaram a lugar chamado Calvário (que quer dizer caveira), ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda”. Lucas 23:33.
Os três esperam a morte, da pior espécie, a crucifixão.
A Cruz:
Artaxerxes rei da Pérsia já usava a cruz como pena de morte, 5 séculos antes de Cristo.
Ptolomeu no 4o. século antes de Cristo num só dia crucificou todas as suas concubinas.
Alexandre Magno quando tomou a cidade de Tiro, crucificou 2 mil prisioneiros de guerra.
Durante o Império Romano, foi instituído o SERVILLE SUPLICIUM (Suplício para servos) que era a morte de cruz.
Públio Quintílio crucifiou 2 mil judeus para tomar o poder herodiano
Gaio Cúspio, Tibério, Julio, Ventílio e Felix puniram rebeldes e banidos com a morte de cruz.
O último procurador romano, Géssio Floro, (60 a 70 DC) crucificou todos os judeus que se revoltaram contra o seu regime.
Constantino no início do quarto século d. C., aboliu a pena de morte pela cruz e a partir de então a cruz tornou-se símbolo do cristianismo, altruísmo e humildade.
Três cruzes: Mostrar as três cruzes.
Redenção.
Aceitação.
Rejeição.
Morrendo pelo pecado.
Morrendo para o pecado.
Morrendo no pecado.
A Cruz do Centro:
A cruz do centro era destinada ao pior dos criminosos e Jesus assumiu este lugar.
Ele não cometeu pecado algum (Hebreus 4:15) mas sobre Ele estava o peso de todos os pecados da humanidade, (2 Coríntios 5:21) ele foi moído pelas nossas iniquidades, (Isaías 53:5).
Depois de uma noite de sofrimento e angústia, Jesus é condenado pelo sinédrio – o Supremo Tribunal dos Judeus. Condenação esta que mereceu a aprovação de todo o povo, que escolheu soltar a Barrabás em vez de Jesus.
Os açoites:
Quando um malfeitor ia ser crucificado, primeiro era açoitado da forma comum. Amarrado ao patíbulo recebia 39 chicotadas, sendo 13 no peito, 13 no lombo direito e 13 no lombo esquerdo. A violência das chibatadas dependia da força do carrasco. O açoite era feito com 2 tiras de couro com pedacinhos de ossos engastados nas pontas. Algumas vezes o açoite atingia partes sensíveis, outras vezes a cabeça, e quando isso acontecia as pontas do açoite se enroscavam nos cabelos e ao o carrasco puxar de volta o instrumento de tortura, mechas inteiras de cabelo eram arrancadas produzindo terrível dor.
Então, e só então o condenado era levado ao lugar do suplício, pelas ruas apinhadas de curiosos.
Ao chegar no lugar da execução, o condenado era pregado à cruz e a mesma era lançada com força no buraco escavado na rocha.
O criminoso podia durar vários dias consciente, pendurado na cruz. Intensificava-se a sede abrasadora por causa da perda de sangue, e da desidratação do organismo, em virtude do suor e do calor.
Juntava-se a todas essas dores físicas o sofrimento moral, e a vergonha de permanecer completamente nu diante dos curiosos e transeuntes que o observavam e amaldiçoavam, insultando-o.
Antes do cristianismo, a cruz tinha um sentido de crueldade. Com a morte de Cristo este sentido deixou de existir. Morrendo na cruz, Jesus a dignificou. Tornando-a símbolo de renúncia, doação e redenção.
Jesus seguiu a Via Dolorosa levando a cruz. Algumas vezes Ele caiu sob o peso do fardo. Sem comer e sem beber durante muitas horas desde a quinta á tarde, e sangrando por causa dos açoites e da coroa de espinhos, Ele estava muito fraco.
O precioso corpo foi estendido sobre a cruz no chão, e mãos fortes e sem compaixão pregam com grossos pregos suas mãos e pés
Suas carnes tremem, mas nenhuma expressão de murmúrio se ouviu. O Salvador demonstra terrível expressão de agonia atroz, mas nenhuma mão piedosa a enxugar-lhe o suor e o sangue
Por quanto tempo o criminoso ficava pendurado na cruz?
Pela lei o corpo só poderia ser tirado da cruz depois de morto. Exceto se fosse sexta-feira. Então ao final do dia quebravam as pernas ao condenado para ele não fugir.
O processo de morte dependia da resistência do condenado.
Alguns resistiam um dia ou dois, porém outros resistiam vários dias sem comer e sem beber água, enquanto continuavam sangrando. A única permissão era oferecer de hora em hora um pouco de vinagre nos lábios, nada mais.
De dia o sol escaldante, de noite o frio gelado.
Alguns contraiam pneumonia e logo morriam, outros morriam muito lentamente.
O que mais importa no verso é a expressão: ESTARÁS COMIGO.
Nosso sonho mais espetacular, é estar com Jesus no novo Céu e na nova Terra.
Naquelas horas de sofrimento um dos ladrões teve um lampejo do Altíssimo na pessoa do Senhor Jesus, e espontaneamente clamou: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. Lucas 23:42.
Como estas palavras devem ter tocado o coração de Jesus. Em meio à zombaria, ao escárnio e irreverência, alguém o chamou de Senhor. Era a sua última esperança, sua última oportunidade.
O ladrão esperou ansioso por uma resposta, e esta veio de pronto. Então Jesus disse: “Na verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso”. Lucas 23:43. E assim, somente por crer, o ladrão convertido recebeu a certeza da vida eterna.
Naqueles últimos momentos de sua vida recebeu o perdão de todos os pecados e a certeza da salvação.
Vamos fazer uma interpretação das palavras de Jesus:
Hoje é o dia mais difícil de nossas vidas. Tudo parece perdido, mas você demonstra confiança em mim. Neste que é o dia mais difícil da nossa existência, vou fazer uma promessa a você: quando eu entrar no meu reino, você terá um lugar comigo.
Pergunto:
Aquele ladrão merecia a salvação?
Não! Isso é o que nós achamos.
O que conta não é a pessoa.
Mas se a pessoa aceitou Jesus ou não.
O ladrão aceitou Jesus? Aceitou! Então merecia a salvação.
Todos temos que ser crucificados.
Jesus mesmo disse que devemos tomar nossa cruz e segui-lo: Mateus 16:24, “Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.
Qual será a nossa cruz?
Não podemos estar na cruz da redenção.
Mas podemos escolher a cruz da aceitação.
Paulo fez isso: Gálatas 2:19-20, “Estou crucificado com Cristo. Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.
Basta apenas crer.
A experiência o ladrão mostra que a salvação é um dom da graça de graça de Deus para todo aquele que crê.
Porque pela graça sois salvos por meio da fé, Efésios 2:18.
Para que todo aquele que nEle crê, João 3:16.
Se escolhermos a cruz da aceitação, independentemente de nossa condição, Jesus nos dirá: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso.
Quero convidar você a assumir a cruz agora.
Qual delas você escolhe?
Da redenção não pode. Essa é de Jesus. Só Ele pode assumir esse lugar.
Sobram duas: da aceitação e da rejeição.
Cada um de nós tem que escolher:
Morrer para o pecado.
Ou morrer no pecado.
O pior dia da vida, pode ser a grande oportunidade da existência.
Amados meus, Jesus continua de braços abertos.
A salvação pertence aos que creem e aceitam Jesus como Salvador Senhor.
Deus nos abençoe.

Pastor Stina
Pastor Sênior da Igreja do UNASP-SP
04/03/2017

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